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sábado, 9 de abril de 2011

Fernando e Isaura



Pelo amor e pela dor.

O ano de 2004 foi de grandes desafios e superação. Durante os ensaios do espetáculo Fernando e Isaura, inicialmente, fomos surpreendidos com problemas de saúde com o ator Pedro Henrique, que nos levou a alterações de personagens. Eu, que inicialmente faria alguns personagens do núcleo cômico, precisei decorar o texto e adaptar-me a dramaticidade do personagem título, o Fernando. O ator Adelson Dornelas foi convidado a integrar o elenco para assumir os meus personagens anteriores. Mas uma vez fomos tomados de súbito com o falecimento do nosso amigo Adelson, de maneira trágica. Como o show tem sempre que continuar, unidos pela dor e pelo amor ao ofício, chamamos o ator Marcelino Dias, para em 15 dias, estrear o espetáculo.

Primeira adaptação do romance de Ariano Suassuna para o teatro, do romance escrito em 1956, intitulado A história de amor de Fernando e Isaura. A peça levava ao palco um dos grandes mitos do amor no ocidente, a lenda irlandesa Tristão e Isolda. Ambientada no Estado de Alagoas, às margens do Rio São Francisco, desvendava o romance proibido entre o vaqueiro Fernando e a romântica Isaura, prometida em casamento a Marcos, tio de Fernando que o criou desde pequeno. Nas músicas executadas ao vivo pelo grupo SaGRAMA, responsável pela montagem, estavam xotes, baiões, cocos-de-roda e marchinhas de guerreiro, folguedo típico de Alagoas. A direção ficava a cargo de Carlos Carvalho.

O elenco guerreiro era formado por Paula de Renor, Círa Ramos, Carlos Lira, Marcelino Dias, Ana Montarroyos e Sérgio Gusmão.

"Lágrimas de um guarda chuva"




Em uma cidade abandonada, em pleno outono, chegam dois artistas mambembes, exaustos e famintos: Sansão, o mágico, e Angelina/Zambê, a mulher-gorila que adivinha a futuro das pessoas. Preparam-se para fazer novas apresentações, sem, no entanto, conseguir atrair o público. Chegam apenas três cegos cantadores, o pai, Sebastião, e os filhos, Serafim e Severino que, depois de se indisporem com Sansão, logo retomam a estrada. Surge, então, o jovem Carmelo, que esclarece o motivo do desaparecimento da população daquela cidade e afirma trazer consigo, em sua mala, o destino de Sansão.

Durante 70 minutos, sob a batuta do mestre Antonio Cadengue, me foi dada a oportunidade de integrar este elenco singular, com posto por Arilson Lopes, Cira Ramos, Marcelino Dias e Silvio Pinto em perfeita sintonia no palco.

“Amém nós todos e estamos perdoados”

Apareceu a Margarida!


Apareceu a Margarida, clássico nacional escrito durante a ditadura militar pela ótica da Cia Trupe do Barulho.

Uma professora tirânica, reprimida sexualmente, foi um prato cheio para a Trupe do Barulho, brincar com o imaginário coletivo. Esta não era uma mestra qualquer. Desde a época do regime militar, ela confundia seus alunos. Questionando, ameaçando, abusando do poder. Dona Margarida é magnética, para atores e diretores. Quando foi escrita pelo carioca Roberto Atayde, em 1973, Apareceu a Margarida desafiou os homens de farda, no tempo em que as palavras ameaçavam mais que os canhões. Desde a estréia, coleciona sucessos. Contam que encenação de Aderbal Freire-Filho com Marília Pêra no papel-título foi magistral. Depois disso, a peça já foi montada várias vezes no Brasil e em mais de 20 países.

Com direção magistral do José Francisco Filho, Dona Margarida coloca nas mãos objetos sexuais, de tortura, boneco inflável e esqueleto que permitem que a personagem passeie por suas fantasias de sexo e poder.

José Francisco Filho resolveu fragmentar a professorinha em três atores, aliás, multiplicá-los no palco. Aurino Xavier, Flávio Luiz e eu fazíamos o mesmo papel. Além da participação especial de Jô Ribeiro, que interpretava o diretor da escola e Eduardo Japiassú como aluno em um prólogo divertidíssimo. Posteriormente Eduardo veio a me substituir como uma das “Dona Margarida".

Para um bom começo de semana



Projeto Humor de Segunda reunia atores experientes com a proposta de oxigenar cena teatral na base do riso



Éramos um grupo de atores pernambucanos reunidos para tocar um projeto pioneiro na cidade. O Humor de Segunda, uma iniciativa dos produtores Ticiana Pacheco e Johnny Dheni, tinha como objetivo dar uma injeção de ânimo no público que não contava com muitas opções de diversão nas noites de segunda-feira. Todas as semanas, o conjunto de artistas formado por mim, Magdale Alves, Gheuza Sena, Ricardo Neves, Paulo de Pontes, Henrique Celibi e Aurino Xavier encenava esquetes cômicos no bar Musique, em Boa Viagem, a partir das 21h.

O projeto estreou com casa lotada, todo mundo se divertindo muito, uma estréia ótima. As apresentações duravam em média 50 minutos, durante os quais o público tinha a oportunidade de assistir aproximadamente sete quadros de 10 minutos. A cada semana, novos esquetes eram incluídos ou retirados do espetáculo. Uma janela para os atores, diretores e profissionais do mercado. Reuníamos-nos duas vezes por semana para ensaiar, discutir textos e trocar idéias sobre a encenação
Montar o espetáculo não foi tarefa fácil. Mesmo sem patrocínio, decidimos encarar o desafio e tentar conquistar o público. Valeu à pena!

Como disse bem Ricardo Neves: "A proposta é fazer com o público a terapia da gargalhada. Você vai ao bar, toma um drink, ri e começa a semana bem” e isso nós conseguimos.

*Fonte: Mariana Fontes – DIARIO de Pernambuco.

Sestas Teatrais






TEATRO NA HORA DO ALMOÇO NAS QUARTAS-FEIRAS

O horário de almoço nas quartas-feiras foi maravilhosamente aproveitado no projeto Sestas Teatrais do Teatro Armazém. Sempre às 13h, um espetáculo de dança ou teatro, preenchia a pausa para o almoço com diversão e cultura. E o melhor: o evento era inteiramente gratuito.
Neste projeto os espetáculos tinham no máximo 40 minutos de duração, e sua primeira edição aconteceu em 2005 e foi assistido por mais de quatro mil pessoas.

Participei do projeto em duas ocasiões, a primeira em 2005, onde me apresentei ao lado da atriz Magdale Alves, com “As Criadas da Glória” e na edição de 2007, abrindo o projeto com a personagem Dona Verinha na peça, Verinha Airline - O céu é o limite.

Dona Verinha teve mais 2 apresentações com histórias diferentes, neste mesmo projeto.
Verinha em 69 e Verinha em R.G. – Registro Geral completaram o ciclo.